Este momento tem um propósito?

Um vírus pegou a humanidade de surpresa e fez todo mundo se recolher, num isolamento social que provocou questionamentos mas também exercícios de solidariedade

Maristela Amorim

De repente, tudo mudou. O mundo desacelerou, quase parou. As dúvidas surgiram, o medo, um tanto de angústia. O que está acontecendo? Nosso ritmo intenso de vida conheceu um outro lado, nossas agendas foram interrompidas, e os planos alterados. Completamente! Inclusive esta edição da Estações Young.

Com as pautas definidas, as matérias em desenvolvimento, a produção de capa com a reportagem especial programada. E veio o isolamento social, medida imprescindível para conter o avanço do Coronavírus, a surpresa que ninguém imaginava para este 2020 – um ano que parecia estar começando com tantas novas esperanças em todos os setores.

De uma hora para a outra nos sentimos fragilizados, vivendo a impensável experiência do confinamento e tendo que abrir mão da liberdade particular em prol do bem comum. Por outro lado, parece que sobrou mais tempo, para ficar com a família e conversar com os amigos. O trabalho foi para o home office – economizando aquelas tantas horas no trânsito.

Também começaram a surgir admiráveis exercícios de solidariedade interessantes, importantes, numa empatia emocionante. O vizinho se prontificando a ir ao supermercado, à farmácia. Grupos nascendo para atender aos que vivem em situação de vulnerabilidade.

O trabalho foi para o home office – economizando aquelas tantas horas no trânsito.

Que lição podemos tirar de tudo isso? Em muitas análises que vêm sendo feitas, chama a atenção justamente as novas regras de convívio, que despertaram a colaboração, o mútuo apoio, o ser humano revelando uma postura que parecia já meio esquecida... Tem ainda o lado espiritual, com pessoas em correntes de orações e de boas energias em horários determinados, provocando uma mudança vibratória.

Que lição podemos tirar de tudo isso?

Muitas empresas redirecionaram seus focos. Fábricas de roupas passaram a produzir máscaras e aventais; as de calçados distribuindo tênis para profissionais da saúde na linha de frente do combate ao coronavírus; indústrias cosméticas e de bebidas se empenharam na elaboração de álcool gel; companhias de comunicação liberando dados e disponibilizando canais até então fechados; comércios eletrônicos oferecendo livros gratuitamente e escolas online viabilizando cursos de capacitação, alguns com diploma e tudo!

Grandes grifes internacionais se solidarizando também, deixando para traz os artigos de luxo para doarem produtos de alta necessidade. Outras destinando grandes quantias em dinheiro, recursos a serem utilizados para minimizar dores de outras empresas, de pessoas que passam por dificuldades, e até mesmo para o Sistema Único de Saúde. Sem falar nas tantas mais que concentraram na compra de testes rápidos e de respiradores mecânicos, leitos, travesseiros, roupas de cama, produtos de higiene – essenciais para os tratamentos.

“É isso que chamamos que walking the talk, quando se fala em colaborar, se colabora; quando se fala que pessoas e vidas são importantes, se protagoniza soluções”, realça Walérya Carriço, psicóloga especialista em transformação de cultura. Ela acredita que, com isso, o mundo já mudou. “Não tem volta”, salienta. É o resultado dessa experiência que o planeta está vivendo, provocando um balanço no estilo de vida de muita gente, priorizando o que vai fazer bem. Como uma prática de autoconhecimento.

Na mesma linha de raciocínio, Maria Cristina Zambon, doutora em Inteligência Organizacional e consultora em Inteligência Estratégica pra o Mercado de Luxo diz que “a Zeitgeist desse momento, esse retrato do tempo incerto no qual vivemos, chama e conclama para que todos estejam unidos na busca de soluções que ultrapassam os muros de nossas casas e a atuação de nossas empresas”.

Walérya Carriço

E o que vem acontecendo é exatamente isso. Walérya cita o movimento entre empresas de alto porte com seus representantes conversando uns com os outros sobre as boas práticas que estão fazendo. E os CEO’s que estão se reunindo, trocando ideias de business e falando sobre as angústias também. “É o poder da vulnerabilidade. Este é um novo momento, tenso, mas que ativa uma rede de solidariedade espontânea em muitos setores com propósitos compartilhados. Uma questão também de manutenção da confiança, de reaprender a viver, de acreditar no outro. Tudo de maneira muito clara”, explica a profissional que atua justamente com os diretores de grandes organizações.

Aos que ficam em casa, em home office e recolhimento obrigatório, o gosto pelo convívio se desloca para uma outra forma. “Não existe alternativa. É happy hour virtual, pessoas se conectando via redes sociais para assistir o mesmo filme, praticar yoga, meditação, fazer exercícios e até tomar sol, que é vitamina D”, exemplifica Walérya.

 

Essa metamorfose provoca mesmo mudança de hábitos, redimensionamento do tempo e a quebra da ilusão da onipotência – que, geralmente, se evidencia apenas em tempos de guerra.

“Pela primeira vez em muito tempo, o mundo todo compartilha a mesma preocupação e vibra numa só voz. No segmento de luxo, por exemplo, vemos a colaboração ativa de marcas como a Louis Vuitton, doando e mobilizando suas plantas fabris para a confecção de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) de segurança, demonstrando a sabedoria que só marcas centenárias, que já passaram por guerras possuem”, comenta Cris Zambon, lembrando que “tudo irá passar mais rápido se cada um de nós der o melhor que tem”.

Cris Zambon

E as decisões são de cada um. “As pessoas presas em casa podem fazer uma conexão profunda para o autoconhecimento, buscar iluminação. É bom para a gente e bom para o outro. É difícil viver o isolamento. Mas é um grande momento de olhar para dentro, de cuidar do corpo, que é onde mora a alma”, finaliza Walérya Carriço.

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